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Imigração japonesa

Oficialmente, a primeira leva de imigrantes japoneses chegou ao Porto de Santos em 1908. Porém, japoneses já haviam estado no País. Em 1803 chegaram a Santa Catarina quatro japoneses. Em 1807, dois bolsistas da marinha japonesa (Maeda Jurozaemon e Izuki Ichiro), vieram ao Brasil, trazidos por um navio de guerra britânico. Em 1890, D Augusto Leopoldo, sobrinho de D. Pedro II, visitou o Império Meiji e retornou ao Brasil acompanhado por seu intérprete, Otake Wasaburo, que ingressou na escola naval brasileira. Retornando ao Japão, foi o autor do primeiro dicionário Português-Japonês e Japonês-Português. Com a instalação da Legação do Brasil no Japão, ele passou a trabalhar como tradutor e intérprete.

Enfrentando desafios em conjunto, alcançamos melhores resultados do que quem fica sozinho.

Um bom exemplo disso é a vinda dos japoneses para o Brasil. Junto com os brasileiros e outros povos, constroem um Brasil muito mais forte e melhor a cada ano.

Este é o exemplo que ilustra bem a filosofia do Grupo Mayekawa no Brasil e no mundo. Por isso, queremos desenvolver uma promissora parceria, criar juntos, trabalhar juntos.

Em 1906, a Casas Fujisaki, uma loja de produtos japoneses, abriu a primeira filial (“O Japão em São Paulo”) no centro da cidade de São Paulo. Saburosuke Fujisaki, empresário, acreditava no mercado brasileiro: abriu lojas ainda no Rio de Janeiro (1908), Salvador (1911) e Recife (1912).

Nesse mesmo ano, chegou a família Saburo Kumabe, juiz de direito e advogado, desejava fixar residência definitiva no Brasil. Em 1906, para implantar a primeira colônia japonesa no Brasil, foi, com outros companheiros na Fazenda Santo Antônio, próxima a Macaé (Rio de Janeiro).

Depois de quase dois meses de viagem, chegou ao Porto de Santos, no dia 18 de junho de 1908, o navio Kasato-Maru. Trazia a bordo 781 japoneses (165 famílias, totalizando 773 membros e mais 48 avulsos) contratados para trabalhar na lavoura cafeeira.

Vida nova: o primeiro destino dos imigrantes japoneses foram as fazendas de café, espalhadas ao longo das estradas de ferro no Estado de São Paulo. Aprenderam, com muitas dificuldades, as primeiras lições de sobrevivência em terras brasileiras.

Com determinação e virtudes de sua rígida educação, os japoneses ganharam a confiança dos brasileiros. Muitos deles tiveram permissão do fazendeiro para cultivar, nas horas de folga, seu próprio arroz, verduras, legumes e frutas. Em poucos anos, passaram de colonos a proprietários e começaram a reorganizar suas vidas. Montaram associações responsáveis pelas atividades sociais, recreativas e pela manutenção das escolas de língua japonesa.

Dentre as primeiras escolas montadas pelos japoneses, destaque para a escola Primária de Birigui. Construída em 1919, permitiu o ensino e cultivo do idioma japonês.

Outra atividade importante na trajetória dos imigrantes japoneses foi o cultivo do algodão, atividade intensificada com a crise cafeeira na década de 30. Grande parte da produção era exportada para o Japão.

As cooperativas desempenharam um papel importante na dinamização e comercialização da produção agrícola dos imigrantes japoneses. Fundada em dezembro de 1927, por produtores de batatas da região de Cotia/SP, a Cooperativa Agrícola de Cotia, com o passar dos anos, transformou-se numa das maiores empresas agrícolas do país.

A Segunda Guerra Mundial foi um tempo muito difícil para os imigrantes japoneses. Inicialmente, devido às restrições impostas aos imigrantes dos países do Eixo. Depois, no final, a notícia da rendição em 1945, provocou conflitos na comunidade japonesa (uns acreditavam na vitória e outros, na derrota japonesa), cuja divergência foi superada com o passar dos anos. Entre as atividades econômicas dessa época, destaca-se a criação do bicho-da-seda.

Trazidas, em 1933, por Makinosue Usui, de Singapura, as mudas de pimenta-do-reino foram plantadas na Estação Experimental de Açaizal (Pará). Reproduzidas por alguns imigrantes japoneses, com o término da Segunda Guerra, transformou-se numa importante fonte de renda da região.

O pós-guerra, para a trajetória dos imigrantes japoneses, representou muitas mudanças. Jovens deixam a agricultura para estudar e se dedicar a alguma atividade nas grandes cidades. As famílias agrícolas estabelecidas procuram novas oportunidades para seus filhos. Muitos nikkeis passaram a ocupar vagas nas melhores universidades do país.

Em 1952, com o Tratado de Paz assinado entre o Brasil e Japão, é retomado o movimento de imigrantes japoneses ao Brasil.

São formadas várias frentes: jovens chegam para trabalhar em fazendas administradas pelos japoneses, outros vão para as colônias montadas por órgãos japoneses, outros chegam diretamente para as indústrias brasileiras. Em 1968, o Grupo Mayekawa chega ao Brasil. Em 2008, inaugura nova fábrica em Arujá-SP.

No Japão, o rápido crescimento econômico obrigou as indústrias a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. No Brasil, a crise econômica obrigava os desempregados buscar novas alternativas. A conjunção dessas duas situações resultou no movimento “dekassegui” que, iniciado por volta de 1985, nunca parou de aumentar.

Hoje, as Famílias Brasileiras e Japonesas compartilham de vários aspectos da vida cotidiana e, juntas, trabalham pelo bem comum na certeza que estarão comemorando muitos Cem Anos de Integração. Agradecimentos: Museu da Imigração Japonesa no Brasil.